Entrevista: Allan Carneiro, empresário pernambucano, fala sobre o mercado têxtil
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Entrevista: Allan Carneiro, empresário pernambucano, fala sobre o mercado têxtil

Atenta ao cenário do mercado têxtil e as ações que se fazem necessárias para acompanhar as mudanças, a Censi Máquinas patrocinou, junto com empresas locais, a 1ª Conferência Conexão SC-PE, que aconteceu neste dia 10 de março no auditório do IFSC, em Gaspar. O evento foi realizado pela Associação Empresarial de Gaspar (Acig) e para fazer parte deste bate-papo sobre os desafios do segmento e seus aspectos regionais, o convidado foi o empresário pernambucano Allan Carneiro.

Carneiro está à frente da empresa de moda infantil Zuzinha Kids e também foi síndico do Moda Center Santa Cruz, o maior centro atacadista da América Latina, com mais de 10 mil pontos comerciais, assim como também é um dos mentores do Estilo Moda Pernambuco, encontro entre a indústria confeccionista pernambucana e os clientes atacadistas regionais e nacionais. E além disso, é parceiro da Censi na região do agreste pernambucano.

E nós aproveitamos a visita do executivo a Santa Catarina para bater um papo sobre as perspectivas, desafios e oportunidades para o segmento têxtil brasileiro. Confira!

* Você fez visitas em algumas empresas da cidade. Qual a sua impressão sobre o mercado têxtil de Gaspar, neste primeiro contato?

Allan Carneiro: Fiquei impressionado com o nível de organização da cidade e dos empresários que visitei. A Associação Empresarial (Acig) faz realmente um trabalho incrível e acredito que a cidade está num caminho interessante na busca pelo reconhecimento nacional de Capital Nacional da Moda Infantil, já com uma base muito boa de trabalho, além de outros projetos que a cidade está engajada. Então vejo que há bastante movimento, já existe um nível de produção incrível e mesmo assim a cidade trabalha para evoluir ainda mais. Pernambuco é minha paixão, mas certamente poderia escolher Gaspar para viver e empreender.

* Quais comparações são possíveis fazer com a realidade do agreste pernambucano?

A.L: A gente tem a aprender muito com Santa Catarina, inclusive vários dos nossos fornecedores são daqui. É uma região muito produtiva, então o intercâmbio é muito bacana. Na parte produtiva, eu diria que vocês estão à frente, porque é um nível realmente ótimo. A parte comercial talvez seja um dos diferenciais do polo de Pernambuco, porque lá é muito intensa essa questão. Então a gente precisa aprender com produção aqui e deixar plantadas as sementes que temos de lá da área comercial, fazendo intercâmbios e promovendo troca de informações.

* Você já foi síndico do Moda Center Santa Cruz, o maior Centro Atacadista da América Latina. Qual o impacto deste empreendimento no cenário têxtil do país, numa região tão distante dos grandes centros comerciais, como São Paulo, por exemplo?

A.L: O impacto é gigantesco. A gente chega a receber em dois dias na nossa cidade mais de 150 mil pessoas, que vão comprar roupas de qualidade. Então a gente vê um processo evolutivo muito forte. É uma coisa realmente impressionante porque logisticamente a gente está fora da rota principal. As pessoas vão em busca desse produto porque sabem da qualidade e que lá vão encontrar o que precisam. É um case de sucesso. Além disso, é uma questão cultural muito forte; nós temos um histórico de cerca de 70 anos em feiras, houve uma organização forte nesse sentido, evoluímos bastante. Agora o modelo de negócio está mudando também, estamos partindo para um posicionamento na Internet, então é uma região que se adapta muito facilmente às mudanças do mercado.

* Gaspar pleiteia o título de Capital Nacional da Moda Infantil. Você está à frente de uma empresa neste mesmo segmento, a Zuzinha Kids. Quais os diferenciais deste nicho de mercado e que tipo de valor a confecção infantil agrega a uma região potencialmente têxtil como a nossa e como a sua, em Pernambuco?

A.L: Produzir moda infantil é um desafio, principalmente nesse mercado global de tanta informação. Há algumas décadas nós vendíamos para os pais, que vestiam os filhos. Agora a gente tem que estar antenado principalmente com o que as crianças estão pensando em relação à moda. As crianças de 5, 6, 7 anos já escolhem as suas roupas. Então é um desafio produzir para um segmento tão específico, exigente, muito antenado com as novas tecnologias e isso mostra o diferencial aqui da região, porque se a cidade consegue ter essa referência de produção de moda infantil é porque ela certamente tem uma capacidade de produção, adaptação e criação. E a conquista desse título tem muito a agregar à cidade como um todo.

* Pela sua experiência, quais são os principais desafios que o mercado têxtil nacional enfrenta hoje?

A.L: O principal desafio é a globalização, essa mudança de conceito de forma intensa. A Internet chegou de uma forma muito impactante do ponto de vista do comportamento das pessoas. As mudanças ocorrem de forma momentânea. Antigamente a gente tinha duas coleções anuais. Agora a gente já parte para coleções mensais, quinzenais, até semanais. A rotatividade é incrível. Então a adaptação das indústrias, das produções é desafiadora. Mas ao mesmo tempo é muito bom, porque gera uma busca por conhecimento em todas as instâncias: você se força a conhecer mais profundamente o cliente, tem acesso a fornecedores na palma da mão. A globalização tem um fator positivo muito intenso. As empresas que conseguirem se adaptar a essa modernização vão sair na frente. Aqui em Santa Catarina, por ter uma grande organização, não tenho dúvidas que o avanço será ainda maior. O estado já é referência no mercado nacional, a gente no Nordeste busca cada vez mais buscar espaço no mercado, mas são pólos complementares. Temos muito a desenvolver juntos e também a crescer juntos.

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