O cenário têxtil regional e os desafios da moda infantil
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O cenário têxtil regional e os desafios da moda infantil

De acordo com a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), Santa Catarina é o segundo maior polo têxtil do Brasil, com cerca de 10 mil unidades industriais, sendo 74% de confeccionados. Essas empresas geram 160 mil postos de trabalho diretos e 280 mil se somados os indiretos.

O polo têxtil de Blumenau, região onde Gaspar está localizada, possui 10% das indústrias têxteis nacionais e 65% das catarinenses. Em 2018 produziu aproximadamente 900 milhões de peças de confeccionados (13% do volume nacional). Só em Gaspar são cerca de 900 empresas (1,4 mil somando negócios ligados à cadeia de produção), 60% direcionadas ao público infantil. Mais de 8 mil empregos diretos são gerados pela força têxtil no município, que tem 30% do PIB vindo do segmento.

Moda infantil em destaque

Se conquistar o título de Capital Nacional da Moda Infantil, Gaspar irá se consolidar em um segmento que não para de crescer. Segundo pesquisa do instituo Euromitor, em seis anos, o volume de venda anual de produtos do segmento infantil no Brasil passou de R$ 2,7 bilhões para R$ 3,9 bilhões – crescimento de 45,6%. E o que faz o mercado continuar aquecido, mesmo em períodos de baixa nas vendas para outras áreas? Confira alguns pontos levantados por especialistas:

– A constante troca de numeração: segundo levantamento da Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos (Abrinq), 14% da população brasileira é de crianças entre 0 e 14 anos, em constante crescimento, este público tende a consumir muito mais peça do que o cliente adulto. A cada nova estação, um guarda-roupas praticamente refeito por conta do crescimento do filho leva milhões de pais às lojas em busca de novas peças. E é neste momento que também entra o próximo item.

– O poder de influência das crianças no orçamento familiar: foi-se o tempo em que os pais decidiam sozinhos o que levar para dentro de casa. É cada vez mais evidente o protagonismo das crianças no poder de decisão das famílias, incluindo na rotina de aquisições. Para se ter uma ideia, em um levantamento do Facebook chamado “Meet the Parents”, 59% dos pais ouvidos disseram que seus filhos têm mais impacto nas decisões de compras que eles mesmos tinham quando eram crianças. Ou seja: as crianças são ouvidas e têm seus desejos de compra respeitados. É aí que entra o olhar estratégico da indústria.

– Publicidade infantil: o foco no consumidor: se antigamente as propagandas televisivas focavam apenas em quem detinha o controle financeiro – os pais – hoje elas falam diretamente com as crianças. A indústria percebeu que há uma crescente autonomia e influência dos filhos no consumo familiar e passou a estudar formas de atingir este público. No mercado têxtil é cada vez mais evidente notarmos peças feitas com foco na preferência das crianças, embalagens cada vez mais coloridas, espaços de vendas com ambientes para elas, investimentos em licenciados e personagens de sucesso na TV e internet.

Por fim, o mercado têxtil infantil cresce com um olhar cada vez mais estratégico para a marca e a estratégia de aproximação com o público. Um exemplo de como empresas estão unindo o olhar para a criança com o apelo aos pais é o crescimento de produtos que apelam para a memória afetiva. Personagens que fizeram sucesso nos desenhos animados dos anos 1980 e 1990 retornam às peças, com cortes e repaginação para agradar pais e filhos. Batman, Star Wars, Looney Toones são apenas alguns exemplos.

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