Quatro lições da principal feira têxtil do mundo para a indústria brasileira
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Quatro lições da principal feira têxtil do mundo para a indústria brasileira

Recentemente tive a oportunidade de participar da ITMA, uma das maiores feiras do mundo e com certeza o encontro de maior impacto no segmento têxtil, que ocorreu em Barcelona, na Espanha. Foram diversos dias de uma verdadeira imersão, com a oportunidade de conhecer de perto processos, serviços, produtos e insumos que são tendência em todo o mundo. A indústria da confecção com certeza está se reinventando e todas as novidades caminham para a era do 4.0, em que tecnologias, automação, sustentabilidade e pessoas bem preparadas convergem.

Essa experiência de troca com milhares de profissionais de diferentes países me proporcionou uma visão mais ampla também sobre as oportunidades que o Brasil pode aproveitar neste setor. Listo abaixo quatro questões que precisam ser observadas pelos nossos empreendedores e que estão mudando o modus operandi da indústria têxtil no mundo:

1 – Sustentabilidade

Processos mais limpos e com menos geração de resíduos já fazem parte da realidade de muitas companhias. Essa é uma tendência de consumo muito evidente, visto que a preocupação com o meio ambiente influencia na decisão de compra do cliente. Mesmo no Brasil, essa realidade já está presente. Uma pesquisa da consultoria TNS/InterScience, por exemplo, revelou que 51% dos entrevistados analisam questões socioambientais antes de adquirir algo de determinada marca.

Processos e maquinários que apoiem uma produção com melhor utilização de recursos, redução de desperdícios e otimização de matéria-prima são destaques nas tendências para a área têxtil.

2 – Processos integrados

Soluções que unem processos de produção de forma que ocorram em sequência e sem intervenção humana também fazem parte da era 4.0. na indústria de confecção as máquinas que tornam processos mais eficientes e até mesmo eliminam etapas, garantindo mais rapidez na produção estão em alta. A tecnologia será uma grande aliada neste sentido e é fundamental que o gestor brasileiro esteja atento a integração de processos para garantir competitividade.

3 – Internet das Coisas

Máquinas com sensores, dados captados no chão de fábrica, dispositivos para otimização de processos, automação e inteligência artificial. Estes são alguns dos destaques da evolução tecnológica. O uso de robôs nos processos já é algo frequente e tende a gerar significativas mudanças no formato de trabalho dos operadores.

4 – Gestão e tecnologia

Por mais estranho que possa parecer, o maior gargalo da indústria não é o investimento tecnológico, mas a gestão de pessoas. Isso porque a evolução de processos e a utilização de novos métodos e maquinários exige do profissional mais preparação para lidar com este novo cenário. A evolução da indústria não vai necessariamente reduzir postos de trabalho, mas exigir que as pessoas sejam mais preparadas, consequentemente, o gestor também enfrenta um grande desafio, já que passará a lidar com colaboradores mais confiantes de si, bem informados e com mais autonomia sobre seu dia a dia. A integração entre a evolução tecnológica e a boa gestão será essencial para que pessoas e processos caminhem em direção a um novo patamar de produção, mais sustentável e competitivo.

Roberto Vilela é especialista nas áreas de gestão e estratégias comerciais. Atua em todo o Brasil com clientes de médio e grande porte, com serviços de consultoria comercial, treinamentos vivenciais e palestras. É também autor do livro Em Busca do Ritmo Perfeito, em que traça um paralelo entre as lições que vivenciou no mundo das corridas e o dia a dia nos negócios. 

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